Uma brasileira na Alemanha

A Nathalia Bechara, minha amiga do colégio, conheceu o namorado (Hannes) em uma viagem para a Austrália. Só tinha um porém: ele é alemão. Após dois anos namorando a distância e se vendo com intervalos de 3 a 7 meses, a Nath decidiu começar uma nova vida em outro país e foi morar com o seu amor na Europa.

Abaixo, ela conta do que mais sente falta em São Paulo e o que tem de mais curioso e imperdível na Alemanha.

Há quanto tempo você está na Alemanha? 

Eu mudei para cá em fevereiro de 2015. Vim para morar com meu namorado e estudar alemão. O plano original era fazer um curso intensivo de um ano e depois decidir se voltaríamos juntos para o Brasil ou se ficaríamos aqui. Por vários fatores, decidimos que seria melhor continuar na Alemanha por enquanto.

Comecei esse ano um nível mais avançado de alemão e em setembro começo um programa de aprendiz (trabalho e estudo ao mesmo tempo) que dura três anos, ou seja, pelo menos neste período ainda vamos morar aqui.

Em qual cidade vocês moram? 

Moramos em Meersburg, uma cidade pequena na região do Bodensee (o Lago de Constança), situado na fronteira da Alemanha com a Áustria e a Suíça:

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Como é o seu dia a dia?

Por enquanto eu estou só estudando alemão, então tenho uma rotina mais tranquila. Vou todas as manhãs para o curso, volto à 13h para casa e daí eu cozinho, cuido da casa, falo com a minha família, estudo e vou para academia. Coisas do dia a dia mesmo.

Como você foi recebida pelas pessoas daí?

Fui muito bem recebida. Claro que, como em todos os lugares, as pessoas não vão parar você na rua, começar a conversar e vocês serão amigas, mas no geral aquelas que te atendem nos lugares públicos e percebem que você não é daqui são pacientes e simpáticas. Fora isso, eu tenho mais contato com a família e os amigos do meu namorado, então sempre fui bem recebida.

Nath, seu namorado Hannes e a família dele
Nath, Hannes e sua família

Tem algum costume deles diferente do nosso que te chamou a atenção?

Tem um costume que me chocou no começo, hoje só acho engraçado… Aqui não é comum as casas e prédios terem piscina, então existem tipo clubes, aonde as pessoas vão. Nesses lugares, chamados de “Baden”, costumam ter piscinas, hidromassagem e sauna. O estranho é que na sauna as pessoas vão completamente peladas! Isso aqui é super normal, e não é separado homens e mulheres.

Eu nunca fui, então não sei se tem uma idade mínima ou alguma outra regra, só sei que elas vão ao natural haha.

E as comidas? 

Ixi tenho várias opiniões sobre a alimentação aqui haha. Eu acho alguns pratos como Rotkraut (repolho roxo cozido) e Schnitzel (bife à milanesa) muito gostosos, mas acho que a comida é muito pesada e leva muito molho, principalmente os que são à base de creme de leite. Eles cozinham usando muita manteiga e óleo também. Enfim, não acho que seja uma culinária para o dia a dia.

Como muitos devem imaginar, tem uma variedade enorme de salsichas, elas são muito boas, mas nada saudáveis.

O problema maior é que, principalmente em cidades pequenas, não existe uma boa variedade de restaurantes. A maioria são restaurantes de comida tradicional ou italiana, então parece que a comida é sempre a mesma. Isso não é fácil para quem está acostumado com a infinidade de opções paulistanas.

Quais cidades da Alemanha você conheceu? Qual mais gostou?

Onde eu moro as cidadezinhas são bem próximas umas das outras, então aqui na região do Bodensee eu conheço quase todas, fora isso já fui para Munique, Constança, Berlin, Mainz, Fussen e Friburgo (Freiburg).

Gostei de todas, mas adoro Constança. Essa é a maior cidade aqui da minha região e além de ser bem interessante culturalmente, tem um visual lindo do Lago de Constança.

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Você também aproveita que já está na Europa para conhecer outros países do continente. Como organiza suas viagens? Qual o melhor meio de transporte para realizá-las?

Com certeza! Sempre que dá para conhecer algum lugar novo, nós vamos.

A melhor forma de viajar depende muito do destino. Geralmente vamos de carro ou avião. Muitos têm a impressão que o trem vale super à pena, mas nem sempre isso é verdade. Antes de comprar as passagens, é sempre bom checar os voos também, até porque existem as empresas Low cost, que às vezes podem ser uma ótima opção.

Costumamos organizar as viagens sozinhos mesmo. Existem muitos sites que oferecem pacotes turísticos, mas até agora nunca compramos nada já “montado”, preferimos planejar todos os detalhes sozinhos.

Quais lugares você conheceu e diria que uma pessoa que for para a Alemanha não pode deixar de visitar? 

São tantos haha. Posso falar com mais propriedade do sul, pois é onde eu moro. Munique com certeza é imperdível, tanto pela beleza da cidade quanto pelo contato com a cultura da Baviera que é bem interessante. De lá também é possível fazer uma day trip para o famoso castelo Neuschwanstein, cartão postal daqui.

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Qual foi a maior dificuldade que você encontrou na mudança?

A maior dificuldade foi deixar para trás o meu estilo de vida agitado, minha família e amigos. Em São Paulo tenho amigos muito próximos, desde a época da escola e nós nos encontrávamos sempre, aqui as amizades são bem mais razas e em menor quantidade.

Desde que me mudei, perdi inúmeros momentos com eles, dos quais eu gostaria de ter participado, mas esse é o preço de morar fora.

Como foi o impacto com uma língua diferente? Todos falam inglês? 

Nem todos falam inglês, na maioria são os jovens que falam. A língua é bem difícil e o vocabulário é complicado, por isso é preciso ter muita paciência para não se decepcionar ou se cobrar demais.

Transporte e clima no país.

Nunca tive problema com o transporte, acho bom.

O clima é um pouco enjoado, são muitos meses frios. Mesmo quando o inverno vai embora, o outono e a primavera são bem gelados, parecidos com o inverno de São Paulo eu diria.

Do que mais sente falta do Brasil?

Da minha família e amigos. Ah, e dos restaurantes de São Paulo haha.

Você moraria na Alemanha pra sempre?

Não faz parte dos meus planos morar para sempre aqui, mas eu moraria.

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Natália Vaquelli

Co-fundadora do blog Passaporte 360, jornalista 24/7, apaixonada por música e viciada em fotos. Conhecer lugares, pessoas, culturas e sabores é o que me move!

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